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Por
Mário Romano Lodi*
O Desafio para a
Sobrevivência
Vamos parar e olhar o que se passou de 1901 até 2000 –
o Século 20. O que era um veículo de transporte terrestre
em 1901, e no que se transformou em 2000; os hoje sexagenários
discutiram com seus pais que viveram no início daquele século,
como eram os veículos a tração animal – feno
e músculos no lugar do petróleo. O que foi o famoso e
elegante Demoiselle (Libélula) de Alberto Santos Dumont, de 1907,
e o que são hoje os jatos comerciais e os aviões militares,
passando por radicais transformações em apenas 100 anos:
hélice, turbo-hélice, jato e dimensões. Dêem
uma olhada nas fotos dos navios dos imigrantes de tantas nacionalidades
que chegavam aos nossos portos, e comparem com os atuais navios destinados
às rotas turísticas.
Se sairmos do campo do transporte, apenas lembrando que o petróleo
entrou para a economia tão somente em meados do Século
19 para fins de iluminação a querosene e gás natural
e a partir de 1900 para fins de locomoção, veremos a radical
mudança em todos os outros setores. Ocorrida até pela
influência desse mesmo petróleo que, com seus derivados,
revolucionou as estradas de rodagem, quase todas de terra na juventude
dos nascidos na primeira metade do Século 20; que originou a
indústria petroquímica e seus milhares de produtos derivados,
substituindo os brinquedos e utensílios de lata e de pano dentre
outras aplicações; que deu incomensurável impulso
nas áreas científica e médica, com sua qualidade
de grande produção, de baixo custo e de ser descartável
após cada uso.
No meio de tudo isso fomos até a Lua, e enviamos sondas para
explorar o Universo, programas viabilizados também em razão
do domínio do elemento silício, pilar do campo da computação
eletrônica.
O processo teve muita engenharia envolvida, fruto da aplicação
da pesquisa científica.
Infelizmente, teve seu lado perverso, que perdura até hoje, e
está se agravando, com o mundo se recusando a ver: uma estrondosa
e letal produção de resíduos de todo o tipo, sólidos,
líquidos e gasosos, que se imaginou – e muitos ainda imaginam
– absorvível e autodepurável pelos mecanismos da
natureza.
...
Nossa referência aos 100 anos do Século 20 é feita
para situar quão pouco tempo isto representa na história
da humanidade. Considerado o espetacular salto feito, o pouco tempo
transcorrido e a tendência de crescimento exponencial nos próximos
anos, pergunta-se: quanto tempo nos resta de desafio para a sobrevivência,
se não alterarmos nosso rumo?
...
Há muita engenharia no processo.
Nossas Divisões Técnicas têm reservado espaço
para essas discussões, nas 25 especialidades de engenharia que
estão nelas representadas. É necessário ampliar
esse debate de forma multidisciplinar. Devemos aproveitar a discussão
do assunto na África do Sul e discutir as decisões dela
decorrentes...
A sensibilização dos governos será naturalmente
decorrente.
A engenharia tem um papel inquestionável na procura de caminhos
para uso da Terra de forma inteligente; nas finanças, diríamos
utilizar os juros, mas não atacar o capital.
A sociedade vai ter de se acostumar a incluir no valor dos produtos,
o custo das reciclagens e dos tratamentos dos resíduos; vai ter
que se educar a não desperdiçar, não poluir, não
destruir; vai ter que se habituar a planejar a família, sem patrulhamentos
e punições, apenas pela reflexão pessoal da capacidade
de dar vida digna à sua descendência.
Em um mundo de comunicações instantâneas essa tarefa,
embora gigantesca, ficou facilitada. Tem que ser empreendida.
Foi transcrito na mídia, nestes dias, que nossos filhos não
herdarão o planeta deixado por nós, mas que eles no-lo
emprestaram!
A geração que produziu o salto espetacular e meritório,
não teve tempo de olhar para a lata do lixo; a próxima
deverá fazê-lo, compulsoriamente.
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