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Revista ENGENHARIA nº 554/2002
 
 

Por Mário Romano Lodi*


O Desafio para a
Sobrevivência


Vamos parar e olhar o que se passou de 1901 até 2000 – o Século 20. O que era um veículo de transporte terrestre em 1901, e no que se transformou em 2000; os hoje sexagenários discutiram com seus pais que viveram no início daquele século, como eram os veículos a tração animal – feno e músculos no lugar do petróleo. O que foi o famoso e elegante Demoiselle (Libélula) de Alberto Santos Dumont, de 1907, e o que são hoje os jatos comerciais e os aviões militares, passando por radicais transformações em apenas 100 anos: hélice, turbo-hélice, jato e dimensões. Dêem uma olhada nas fotos dos navios dos imigrantes de tantas nacionalidades que chegavam aos nossos portos, e comparem com os atuais navios destinados às rotas turísticas.
Se sairmos do campo do transporte, apenas lembrando que o petróleo entrou para a economia tão somente em meados do Século 19 para fins de iluminação a querosene e gás natural e a partir de 1900 para fins de locomoção, veremos a radical mudança em todos os outros setores. Ocorrida até pela influência desse mesmo petróleo que, com seus derivados, revolucionou as estradas de rodagem, quase todas de terra na juventude dos nascidos na primeira metade do Século 20; que originou a indústria petroquímica e seus milhares de produtos derivados, substituindo os brinquedos e utensílios de lata e de pano dentre outras aplicações; que deu incomensurável impulso nas áreas científica e médica, com sua qualidade de grande produção, de baixo custo e de ser descartável após cada uso.
No meio de tudo isso fomos até a Lua, e enviamos sondas para explorar o Universo, programas viabilizados também em razão do domínio do elemento silício, pilar do campo da computação eletrônica.
O processo teve muita engenharia envolvida, fruto da aplicação da pesquisa científica.
Infelizmente, teve seu lado perverso, que perdura até hoje, e está se agravando, com o mundo se recusando a ver: uma estrondosa e letal produção de resíduos de todo o tipo, sólidos, líquidos e gasosos, que se imaginou – e muitos ainda imaginam – absorvível e autodepurável pelos mecanismos da natureza.
...
Nossa referência aos 100 anos do Século 20 é feita para situar quão pouco tempo isto representa na história da humanidade. Considerado o espetacular salto feito, o pouco tempo transcorrido e a tendência de crescimento exponencial nos próximos anos, pergunta-se: quanto tempo nos resta de desafio para a sobrevivência, se não alterarmos nosso rumo?
...
Há muita engenharia no processo.
Nossas Divisões Técnicas têm reservado espaço para essas discussões, nas 25 especialidades de engenharia que estão nelas representadas. É necessário ampliar esse debate de forma multidisciplinar. Devemos aproveitar a discussão do assunto na África do Sul e discutir as decisões dela decorrentes...
A sensibilização dos governos será naturalmente decorrente.
A engenharia tem um papel inquestionável na procura de caminhos para uso da Terra de forma inteligente; nas finanças, diríamos utilizar os juros, mas não atacar o capital.
A sociedade vai ter de se acostumar a incluir no valor dos produtos, o custo das reciclagens e dos tratamentos dos resíduos; vai ter que se educar a não desperdiçar, não poluir, não destruir; vai ter que se habituar a planejar a família, sem patrulhamentos e punições, apenas pela reflexão pessoal da capacidade de dar vida digna à sua descendência.
Em um mundo de comunicações instantâneas essa tarefa, embora gigantesca, ficou facilitada. Tem que ser empreendida.
Foi transcrito na mídia, nestes dias, que nossos filhos não herdarão o planeta deixado por nós, mas que eles no-lo emprestaram!
A geração que produziu o salto espetacular e meritório, não teve tempo de olhar para a lata do lixo; a próxima deverá fazê-lo, compulsoriamente.

 
 

*Vice-presidente de Atividades
Técnicas do Instituto de Engenharia
 
 




 



 

   



 
edição 554/2002
 



AOS 85 ANOS,
PRONTO PARA
NOVOS DESAFIOS

 
  AOS 85 ANOS,
PRONTO
PARA NOVOS DESAFIOS_
 
 
INDEPENDÊNCIA E DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO_
 
 
O PROGRAMA DE CONTROLE
DAS INUNDAÇÕES
NA BACIA DO ARICANDUVA_
 
 
RAMPA DE ESCAPE
DA RODOVIA
ANCHIETA –
O DISPOSITIVO ESPECIAL ESTÁ LOCALIZADO NO
KM 42,7 DA PISTA SUL_
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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