|
O
engenheiro civil Luiz Carlos Frayze David,
formado pela Universidade Mackenzie, é
paulistano e completou 59 anos em julho
passado. Atual presidente da Companhia
do Metropolitano de São Paulo,
David é metroviário de carreira.
“Comecei a trabalhar no Metrô
em 1975, ano em que a companhia contratou
muitos engenheiros, e nessa época
ela ainda era municipal”, relembra
ele. Seu primeiro emprego como engenheiro,
aos 23 anos de idade, foi na Estrada de
Ferro Santos-Jundiaí. Em 1995 ele
deixou o Metrô para assumir a superintendência
do Departamento de Estradas de Rodagem,
DER, cargo que ocupou até 1997.
A partir daí passou a assumir as
funções de secretário-adjunto
da Secretaria de Transportes do Estado
de São Paulo. Ao longo do ano 2000,
David participou, junto com o então
secretário estadual Michael Zeitlin,
da elaboração de um trabalho
de planejamento de fôlego, o Plano
Diretor de Desenvolvimento de Transportes,
PDDT. O plano abrange o período
de 2000 a 2020, ao longo do qual se espera
que esteja consolidada uma logística
intermodal de transportes em território
paulista. Em meados de 2002, David foi
nomeado secretário dos Transportes,
no final da gestão Mário
Covas. “E de lá voltei para
o Metrô, como presidente.”
Nesta entrevista à REVISTA ENGENHARIA,
David conta que a obsessão com
a qualidade fez com que o Metrô
de São Paulo se tornasse uma referência
de excelência para outros metrôs
do mundo. “Esta realidade pode ser
constatada por meio dos resultados de
um trabalho de benchmarking que está
sendo desenvolvido junto com outros grandes
oito metrôs, entre eles os de Paris,
Londres e Nova York”, diz. Ele comenta
também que a expansão do
Metrô até 2010 prevê
a construção de 30 quilômetros
de linhas e 25 novas estações.
Dos cerca de 30 quilômetros previstos,
5 quilômetros são referentes
ao prolongamento da Linha 2-Verde, a partir
da Estação Ana Rosa até
o Bairro de Sacomã, cujas obras
começaram em março de 2004.
Na seqüência, essa linha irá
até Vila Prudente. Também
estão previstas a Linha 4-Amarela,
que terá 12,8 quilômetros,
ligando Vila Sônia, na zona sudoeste
da cidade, até a Estação
da Luz, e a segunda etapa da Linha 5-Lilás,
com 11,5 quilômetros, ligando o
Largo Treze de Maio até a região
da Vila Mariana. Com esses investimentos,
em 2010, a rede de Metrô, que hoje
possui 57,6 quilômetros, passará
a ter 88 quilômetros de extensão.
Lembra ainda que a Companhia Paulista
de Trens Metropolitanos, CPTM, empresa
co-irmã do Metrô e que opera
trens de passageiros que atendem a Região
Metropolitana de São Paulo, está
empenhada na remodelação
de sua rede sobre trilhos, para transformar
seu sistema de 270 quilômetros em
um verdadeiro metrô de superfície.
O presidente do Metrô de São
Paulo historia ainda outros assuntos,
como: as principais fases do curso evolutivo
da companhia e o papel que representa
hoje para o transporte público
em São Paulo; quantas pessoas já
foram transportados pelo Metrô desde
sua inauguração; qual o
número de usuários diários
no começo da operação
e hoje em dia; quantos quilômetros
os trens já percorreram nesse período.
Como é sabido que a rede paulistana
de metrô é muito pequena
em comparação a outras cidades
do mundo com necessidades e demanda tão
grandes quanto as da capital, David relata
como têm operado os trens nos horários
normais e nos de pico, para suprir essa
deficiência estrutural.
REVISTA ENGENHARIA –
O senhor pode historiar as principais
fases do curso evolutivo do Metrô
de São Paulo?
DAVID –
A Companhia do Metropolitano de São
Paulo foi constituída em 26 de
dezembro de 1966, como empresa municipal.
Em setembro de 1974, na gestão
do prefeito Olavo Setúbal, depois
de muito estudo, desenvolvimento e aprendizado
– além de muita ousadia –,
teve início a operação
comercial da Linha 1-Azul, no trecho Jabaquara-Vila
Mariana, num total de 6,4 quilômetros,
das 9 da manhã à uma da
tarde. Falo em ousadia porque, 35 anos
atrás, época do início
da execução das obras, a
engenharia brasileira desconhecia quase
completamente os aspectos técnicos
do transporte metroviário. Posteriormente,
entre 1976 e 1977, como o aporte de recursos
maior vinha por parte da administração
estadual, o governo do Estado de São
Paulo acabou tornando-se o acionista majoritário.
Aí o Metrô passou a pertencer
ao governo estadual. Estamos, portanto,
completando, agora em setembro, 30 anos
de operação. A rede é
hoje de 57,6 quilômetros de extensão
com 4 linhas em operação
e 52 estações. E a expansão
do Metrô está em ritmo acelerado.
A companhia já iniciou a construção
da Linha 4-Amarela que ligará Vila
Sônia, na zona sudoeste da cidade,
à Estação Luz, e
da expansão da Linha 2-Verde, numa
primeira fase, até a Estação
Imigrantes...
|