Luiz Carlos Frayze David

PRESIDENTE DA COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SÃO PAULO, METRÔ

“A busca da qualidade é a obsessão permanente”
Metroviário de carreira, o presidente Luiz Carlos David diz que o constante cuidado com as expectativas da população e os anseios dos usuários permitiu que o Metrô de São Paulo angariasse admiração e respeito junto às principais companhias de metrô do mundo, como as de Paris, Londres, Nova York, Moscou, Berlim, México, Tóquio e Hong Kong – sistemas reconhecidos por sua importância em termos de extensão e número de passageiros
O engenheiro civil Luiz Carlos Frayze David, formado pela Universidade Mackenzie, é paulistano e completou 59 anos em julho passado. Atual presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo, David é metroviário de carreira. “Comecei a trabalhar no Metrô em 1975, ano em que a companhia contratou muitos engenheiros, e nessa época ela ainda era municipal”, relembra ele. Seu primeiro emprego como engenheiro, aos 23 anos de idade, foi na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Em 1995 ele deixou o Metrô para assumir a superintendência do Departamento de Estradas de Rodagem, DER, cargo que ocupou até 1997. A partir daí passou a assumir as funções de secretário-adjunto da Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo. Ao longo do ano 2000, David participou, junto com o então secretário estadual Michael Zeitlin, da elaboração de um trabalho de planejamento de fôlego, o Plano Diretor de Desenvolvimento de Transportes, PDDT. O plano abrange o período de 2000 a 2020, ao longo do qual se espera que esteja consolidada uma logística intermodal de transportes em território paulista. Em meados de 2002, David foi nomeado secretário dos Transportes, no final da gestão Mário Covas. “E de lá voltei para o Metrô, como presidente.”
Nesta entrevista à REVISTA ENGENHARIA, David conta que a obsessão com a qualidade fez com que o Metrô de São Paulo se tornasse uma referência de excelência para outros metrôs do mundo. “Esta realidade pode ser constatada por meio dos resultados de um trabalho de benchmarking que está sendo desenvolvido junto com outros grandes oito metrôs, entre eles os de Paris, Londres e Nova York”, diz. Ele comenta também que a expansão do Metrô até 2010 prevê a construção de 30 quilômetros de linhas e 25 novas estações. Dos cerca de 30 quilômetros previstos, 5 quilômetros são referentes ao prolongamento da Linha 2-Verde, a partir da Estação Ana Rosa até o Bairro de Sacomã, cujas obras começaram em março de 2004. Na seqüência, essa linha irá até Vila Prudente. Também estão previstas a Linha 4-Amarela, que terá 12,8 quilômetros, ligando Vila Sônia, na zona sudoeste da cidade, até a Estação da Luz, e a segunda etapa da Linha 5-Lilás, com 11,5 quilômetros, ligando o Largo Treze de Maio até a região da Vila Mariana. Com esses investimentos, em 2010, a rede de Metrô, que hoje possui 57,6 quilômetros, passará a ter 88 quilômetros de extensão. Lembra ainda que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, CPTM, empresa co-irmã do Metrô e que opera trens de passageiros que atendem a Região Metropolitana de São Paulo, está empenhada na remodelação de sua rede sobre trilhos, para transformar seu sistema de 270 quilômetros em um verdadeiro metrô de superfície.
O presidente do Metrô de São Paulo historia ainda outros assuntos, como: as principais fases do curso evolutivo da companhia e o papel que representa hoje para o transporte público em São Paulo; quantas pessoas já foram transportados pelo Metrô desde sua inauguração; qual o número de usuários diários no começo da operação e hoje em dia; quantos quilômetros os trens já percorreram nesse período. Como é sabido que a rede paulistana de metrô é muito pequena em comparação a outras cidades do mundo com necessidades e demanda tão grandes quanto as da capital, David relata como têm operado os trens nos horários normais e nos de pico, para suprir essa deficiência estrutural.

REVISTA ENGENHARIA – O senhor pode historiar as principais fases do curso evolutivo do Metrô de São Paulo?
DAVID – A Companhia do Metropolitano de São Paulo foi constituída em 26 de dezembro de 1966, como empresa municipal. Em setembro de 1974, na gestão do prefeito Olavo Setúbal, depois de muito estudo, desenvolvimento e aprendizado – além de muita ousadia –, teve início a operação comercial da Linha 1-Azul, no trecho Jabaquara-Vila Mariana, num total de 6,4 quilômetros, das 9 da manhã à uma da tarde. Falo em ousadia porque, 35 anos atrás, época do início da execução das obras, a engenharia brasileira desconhecia quase completamente os aspectos técnicos do transporte metroviário. Posteriormente, entre 1976 e 1977, como o aporte de recursos maior vinha por parte da administração estadual, o governo do Estado de São Paulo acabou tornando-se o acionista majoritário. Aí o Metrô passou a pertencer ao governo estadual. Estamos, portanto, completando, agora em setembro, 30 anos de operação. A rede é hoje de 57,6 quilômetros de extensão com 4 linhas em operação e 52 estações. E a expansão do Metrô está em ritmo acelerado. A companhia já iniciou a construção da Linha 4-Amarela que ligará Vila Sônia, na zona sudoeste da cidade, à Estação Luz, e da expansão da Linha 2-Verde, numa primeira fase, até a Estação Imigrantes...

 

 

 
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reportagem

OS 30 ANOS DO METRÔ
EM SÃO PAULO: REFERÊNCIA MUNDIAL DE QUALIDADE, A REDE VOLTA A SE EXPANDIR

 
entrevista
LUIS CARLOS
FRAYZE DAVID

Presidente do Metrô
de São Paulo
 
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