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RICARDO DARUIZ BORSARI

“Há uma luz no fim do túnel”
Ao
assumir, no dia 2 de julho deste ano, o cargo de superintendente do
Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), o engenheiro Ricardo
Daruiz Borsari sabia a dimensão do desafio que o esperava. Formado em
Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP e mestre em Hidráulica,
Borsari é funcionário do DAEE desde 1979 e ocupou anteriormente o cargo
de diretor do Centro Tecnológico de Hidráulica, unidade da autarquia
voltada à pesquisa. Além disso, é professor de Hidráulica Geral da Escola
Politécnica e diretor da Associação Brasileira de Recursos Hídricos,
filiada à International Association for Hydraulic Research (IARH).
Com essa bagagem técnica, Borsari está mais que preparado, por exemplo,
para encarar o fato de que, devido à falta de planejamento da metrópole
paulistana, no passado, vai continuar custando cada vez mais caro resolver
os problemas acumulados (hoje e no futuro). “Se tivesse havido planejamento
na década de 50 - quando São Paulo tinha 1,5 milhão de habitantes, e
não era ainda uma cidade verticalizada - tudo seria diferente”. Segundo
ele, a infra-estrutura que o governo tem que prover é muito complexa.
“Mas vejo que há uma luz no fim do túnel, pois acho que o novo rumo
que as coisas estão tomando é bastante promissor principalmente com
o atual Plano de Macrodrenagem da Região Metropolitana”.
Entre as ações do plano está o aprofundamento em 2,5 metros da calha
do rio Tietê numa extensão de 24,5 quilômetros, entre a Barragem da
Penha e o Cebolão, que deve ser iniciado em fevereiro de 2002 a um custo
de R$ 600 milhões. Na visão de Borsari, quando todas as ações do Plano
de Macrodrenagem estiverem concluídas, as conseqüências das fortes chuvas
na região, principalmente no verão, serão muito reduzidas.
Em entrevista à REVISTA ENGENHARIA ele descreveu em detalhes
o modo de operação do DAEE - que está completando 50 anos - ao longo
de sua história. E enfocando a atual conjuntura da autarquia confirmou
que, além do aprofundamento da calha do Tietê, as obras de macrodrenagem
incluem a construção de 37 piscinões na Bacia do Tamanduateí e 12 na
do Pirajuçara. “Desse total, seis já estão em operação normalmente no
Tamanduateí e dois no Pirajuçara; outros cinco estão sendo executados
e um sexto terá as obras iniciadas em curto prazo”.
A seguir, parte da entrevista.
REVISTA ENGENHARIA - O DAEE faz
exatamente o quê? Quais são suas atribuições?
BORSARI - O DAEE é uma autarquia
estadual, autônoma, responsável - por força de lei - pela gestão dos
recursos hídricos em São Paulo. É quem outorga o direito de uso da água.
Então, alguém que pretenda, por exemplo, captar água num rio ou córrego
de domínio estadual, ou perfurar um poço profundo, com finalidade comercial,
industrial, irrigação rural ou mesmo de abastecimento público, deve
pedir autorização ao DAEE. A partir disso, a autarquia, mediante critérios
técnicos de avaliação específicos, outorga-lhe o direito de utilizar
uma determinada vazão, por um período de tempo determinado.
...
A autarquia desenvolve suas atividades com recursos provenientes do
Tesouro do Estado e de financiamentos externos, que são contratados
pelo governo estadual, por intermédio do DAEE, com aval da União.
REVISTA ENGENHARIA - Pelo seu relato, o DAEE tem, por assim
dizer, poder de polícia?
BORSARI - Deixe-me continuar explicando.
Há uma área dentro do DAEE que é a diretoria de Recursos Hídricos. ...
Então se montou toda uma estrutura de representação no Estado, onde
o DAEE exerce a secretaria executiva de 17, dos 21 Comitês. O DAEE é
o órgão oficial do Estado, que tem o poder de polícia, no sentido de
fiscalizar a utilização dos recursos hídricos...
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