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Antonio Hélio Guerra Vieira

 

"A engenharia brasileira vai muito bem, obrigado"

Para o novo presidente do Instituto de Engenharia, tanto em

passado recente - com os projetos e construção de grande usinas hidroelétricas - como no presente - com a competência na exploração de petróleo em águas profundas e o extraordinário sucesso da Embraer na produção e exportação de aviões a jato -, os engenheiros do Brasil vêm mostrando grande competência para inovar e, portanto, competir internacionalmente.

 

Formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (a mesma USP onde viria mais tarde exercer as funções de reitor), o engenheiro mecânico e eletricista Antonio Hélio Guerra Vieira -novo presidente do Instituto de Engenharia pelos próximos dois anos - é um homem permanentemente preocupado com a engenharia nacional e em que medida ela está desempenhando corretamente o seu papel num mundo cada vez mais sem fronteiras.

Em resumo, Guerra considera que nossa engenharia, tanto em passado recente como no presente, "vai muito bem obrigado", para ficar numa expressão que gosta de repetir e que reflete bem a sua visão otimista da vida. "Um exemplo clássico é a competência dos engenheiros brasileiros no projeto e construção dos grandes complexos hidroelétricos, como o de Itaipu", lembra. Bem mais modernamente, outro grande mérito - desta vez dos engenheiros da Petrobras - é a reconhecida competência na exploração de petróleo em águas profundas.

O seu entusiasmo ganha ainda mais veemência, no entanto, quando lembra o fato de o principal item da pauta de exportações brasileira vir a ser o avião a jato, produto sofisticado e poderoso. O mérito, no caso, é da 100% nacional Embraer, de São José dos Campos (SP), e do esforço de décadas desenvolvido pelos engenheiros daquela empresa. "É uma coisa linda", diz.

Outra área que a seu ver caminha extraordinariamente bem é a de informática "tanto que ninguém mais se lembra dos obscuros tempos da reserva de mercado do setor". Prova de que, finda a reserva, o setor explodiu no País, é o fato dos brasileiros serem atualmente os mais destacados do mundo em automação bancária, superando Estados Unidos e União Européia.

Guerra destaca também o fato (nem sempre conhecido) de que o Brasil faz parte do grupo de países pioneiros na área de normas técnicas, tendo sido um dos instituidores do sistema de certificação de qualidade ISO (International Standard Organization), órgão da ONU e atualmente presidido por um brasileiro.

Nesta entrevista à REVISTA ENGENHARIA, Hélio Guerra trata de vários outros temas relacionados com a engenharia nacional, além de reservar um bom espaço da conversa para comentar o papel representado pela Companhia de Engenharia de Tráfego - CET nestes últimos 25 anos para o sistema de transporte e tráfego da cidade de São Paulo.

A seguir, um resumo da entrevista:

 

REVISTA ENGENHARIAEm que medida a engenharia nacional está desempenhando bem o seu papel no mundo atual?

GUERRA – Para o bem ou para o mal, a verdade é que o mundo deixa cada vez mais de ter fronteiras. Da mesma forma, o trânsito de mercadorias e a troca de prestação de serviços tornam-se crescentemente livres. E a tendência – como já ocorre na Europa, por exemplo – é que a própria mão-de-obra migre de um país para outro, na medida em que haja oferta maior de empregos e salários melhores. Isso pode ser observado, na prática, em diversos países e regiões do mundo. Mas o melhor exemplo, como disse, é a União Européia. Outro bom exemplo, no entanto, está aqui em casa, no Mercosul. E como todos os meios de comunicação divulgam diariamente, estamos em plena contagem regressiva para a criação da Aliança de Livre Comércio das Américas (Alca) no final de 2005. Isso significa que, a exemplo do que já ocorre no Mercosul e na União Européia, não mais teremos reservas de mercado nacionais. Isso é bom? É ruim? Isso é um fato e, portanto, não se discute. A bem da verdade, no entanto, nós todos temos interesse em participar desse processo e ter bom desempenho. Isso se consegue contando com produtos e serviços cada vez mais, no mínimo, comparáveis com aquilo que os outros países oferecem. Mas também profissionais, e quero frisar esse ponto, porque é isso que está nos interessando aqui, que é a classe dos engenheiros. Estes, de preferência, devem ser até competitivos e ganhando na competição. Caso contrário o Brasil correrá o risco de virar uma espécie de país importador de tudo.

 

REVISTA ENGENHARIAO que torna um país competitivo hoje em dia?

GUERRA – Observando o que tem acontecido nas últimas décadas em muitos países, pode-se perceber facilmente que, na prática, nenhum país é competitivo em tudo. Felizmente é assim. Basta pegar os Estados Unidos, o Japão na época de ouro (que aparentemente já passou), a Alemanha... Cada uma dessas nações é ou foi muito competitiva em alguns setores e não havia forma de poder competir com eles. Eles colocavam seus produtos em qualquer canto do mundo porque ganhavam em qualidade e preço. Mas, como ninguém é competitivo em tudo, eles perdiam algumas coisas nessa corrida e tinham que importar também. Então, o mundo inteiro depende dessa espécie de equilíbrio entre o que se exporta e o que se importa. E o que conta aí é a condição de poder competir em alguns itens. Os países mais competitivos têm mais setores nos quais conseguem sobrepujar seus rivais e os menos desenvolvidos caminham no sentido contrário. Isso vale para todas as nações, desde as altamente adiantadas, as mais ou menos desenvolvidas e também as chamadas emergentes. Desgraçadamente não vale para países em situação de total miséria, como os do continente africano. Há casos de países tão miseráveis, que precisam da ajuda misericordiosa dos outros, quase que esmola mesmo...

         

     

 

             
     

 

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para ler a entrevista completa 

adquira a edição 544/2001 da revista ENGENHARIA

   

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