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A engenharia foi sua luta
Homenagem ao engenheiro Mauro Garcia

Mauro Garcia nasceu em São Paulo, proveniente de uma família de imigrantes espanhóis. De sua ascendência castelhana herdou o dinamismo e a paixão, sem herdar, felizmente, a belicosidade. Formou-se em 1934 na Escola Politécnica da USP como engenheiro civil, antes que a profissão fosse regulamentada – o que aconteceu em 1935. Até então, era engenheiro quem assim o dissesse. Muitos construtores europeus eram engenheiros no Brasil, mas sem diplomas. Na época, se dizia que teriam caído no mar na travessia...
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Formado, Mauro vai trabalhar na Repartição de Águas e Esgotos (RAE), numa curiosa e frustrante seção chamada “Seção da Falta de Água”. Na RAE, Mauro participa da equipe que deu a partida na famosa Adutora do Rio Claro, obra com mais de 100 quilômetros, usando tubos ingleses com 2,5 m de diâmetro. Com essa participação, Mauro apaixona-se pela Engenharia Sanitária, paixão da qual nunca se livrou. Em 1948, ele vai estudar em Harvard, Boston, Estados Unidos, graduando-se como Master em Engenharia Sanitária. Já casado com dona Célia, leva a família para aquele país, educando-os em português e inglês, privilégio para poucos, convenhamos. Com o fim do curso volta a trabalhar na RAE. Na época há uma enorme falta de livros textos de engenharia em português e, por iniciativa do professor Azevedo Netto, decide-se traduzir uma bíblia mundial da engenharia sanitária, o famoso “Manual de Saneamento” de Hardenberg. Mauro é um dos que traduzem vários capítulos do livro, que é editado e vira, na época, também bíblia de saneamento no Brasil. Os limites da RAE são pequenos para a dinâmica do então ainda jovem engenheiro. Sabedor que não existe engenharia sem construção de obras, Mauro sai da RAE e abre uma construtora, a Companhia Paulista de Construções Civis, empresa de construção de saneamento e que fazia também incorporação predial. Sua visão da engenharia transforma-se, face ao realismo da dificuldade das obras.
Mauro nunca foi professor e sua banca era a famosa Divisão de Engenharia Sanitária do Instituto de Engenharia, a mais antiga divisão técnica do IE.
Face à morte de sua primeira esposa – que lhe dera quatro filhos –, Mauro casa-se com dona Odette, sua nova companheira para tudo.
Nos anos 60 fora criada a seção paulista da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Mauro é escolhido como seu primeiro presidente. Hoje, nos anos 2000, a ABES/SP é uma potência. No início diziam que a ABES/SP era tão somente uma pasta que o Mauro carregava em todas as reuniões. A evolução da ABES/SP dependeu do esforço de muitos.
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Mauro atua também em consultoria de saneamento, trabalhando no Consórcio Nacional de Engenheiros Consultores (CNEC). Para lá leva sua experiência em projeto e construção de obras a jovens colegas.
Mauro segue sua vida profissional como autônomo pois, realizado como empreiteiro, decide encerrar as atividades de sua construtora.
Com mais de 70 anos, Mauro enfrenta novo desafio na engenharia. Vai organizar e ser o secretário executivo de uma nascente entidade de engenharia, a Associação de Engenharia Automotiva (AEA). Por cerca de quatro anos, Mauro dá o seu dinamismo e experiência empresarial a essa entidade.
Nos anos 90, a ABES/SP cria o prêmio professor Azevedo Netto, para homenagear os que mais se destacaram na profissão. No segundo ano da premiação, Mauro ganha o prêmio. ...
As lutas de Mauro não terminaram. No final dos anos 90, outra vez ele insurge-se contra o uso de águas de possível má qualidade. Acompanhado por vários colegas, incluso aí o saudoso Ben-Hur Batalha, Mauro rebela-se contra o bombeamento de águas de braço do Reservatório Billings para o abastecimento de São Paulo.
Assim Mauro vai lutando, usando o Instituto de Engenharia como sua alavanca. Não estando vinculado a nenhuma atividade profissional, Mauro paira acima do bem e do mal. É eleito várias vezes como conselheiro do Instituto. Também ocupa o cargo de diretor responsável na REVISTA ENGENHARIA, órgão oficial do Instituto de Engenharia.
Com 80 anos decide passar seu aniversário com dona Odette num local aprazível. ...
Chegamos ao fim dos anos 90. Mauro fica doente. Seu tratamento exige recursos e a família decide que todo o supérfluo deve ser cortado em favor do doente. Mauro é sócio de inúmeras entidades e associações. Assina, também, muitas revistas técnicas. Tudo é cortado com a concordância do doente, com uma exceção. Sua contribuição mensal para o Instituto de Engenharia, única contribuição que era dispensável, pois Mauro era sócio remido. A contribuição não necessária, o laço financeiro com o IE, era uma forma de dizer que a luta pela engenharia continuava.
Estamos encerrando esta crônica. Como terminá-la? No vídeo sobre a vida de Mauro tocava-se a música “Taí” cantada pela Carmen Miranda que diz num estribilho: “Taí, eu fiz tudo para você gostar de mim”.
Em homenagem a Mauro nós diríamos: “Taí, ele fez de tudo para que nós gostássemos dele, e conseguiu”.

 
     
 




 



 

   



 
edição 554/2002
 



AOS 85 ANOS,
PRONTO PARA
NOVOS DESAFIOS

 
  AOS 85 ANOS,
PRONTO
PARA NOVOS DESAFIOS_
 
 
INDEPENDÊNCIA E DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO_
 
 
O PROGRAMA DE CONTROLE
DAS INUNDAÇÕES
NA BACIA DO ARICANDUVA_
 
 
RAMPA DE ESCAPE
DA RODOVIA
ANCHIETA –
O DISPOSITIVO ESPECIAL ESTÁ LOCALIZADO NO
KM 42,7 DA PISTA SUL_
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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