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HIDROPLAN o plano discutido
“A poluição das águas do rio é hoje de
tal ordem que não é exagero dizer-se que o tratamento dos esgotos, em
São Paulo, já é uma questão de decoro para a cidade”
Esta
afirmação encontra-se no Relatório da Comissão de Melhoramentos dos
Rios Tietê e Tamanduateí, de 1950, e encimou o Relatório-Síntese do
Hidroplan – Plano Integrado de Aproveitamento e Controle dos Recursos
Hídricos das Bacias do Alto Tietê, Piracicaba e Baixada Santista.
O Hidroplan, iniciado em 1993, foi o primeiro plano integrado de recursos
hídricos do estado de São Paulo elaborado sob a égide da Política Estadual
de Recursos Hídricos e do Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, criados pela Lei 7.663 de 30/12/91, que preconizam uma atuação
cada vez mais democrática, integrada, descentralizada e participativa,
no trato da utilização e do controle dos recursos hídricos.
A missão do Hidroplan, estabelecida nos termos de referência preparados
pelo DAEE, foi a de estudar, analisar e propor soluções para a utilização
e o controle dos recursos hídricos das bacias hidrográficas industriais
mais importantes do Estado, quais sejam as do Alto Tietê, Piracicaba/Capivari/Jundiaí
e Baixada Santista, cujos sistemas hídricos interagem fortemente. A
bacia do Tietê/Sorocaba foi incorporada no transcorrer dos estudos.
Dadas as características desses sistemas, as soluções, quaisquer que
fossem, estariam sempre redundando em conflitos de uso, o que gerou
a necessidade de amplas discussões nas bacias envolvidas. Ao longo dos
dois anos de desenvolvimento do Plano, foram feitas mais de 30 audiências
públicas nos mais diversos foros, em que foram discutidas com a sociedade,
passo a passo, as proposições do Plano, e nas quais foram também recebidas
contribuições.
Ao contrário de planos anteriores, em que os estudos e suas conclusões
ficavam restritos ao conhecimento da comunidade técnica envolvida nos
mesmos, o Hidroplan abriu à sociedade organizada todos os elementos
disponíveis para discussão das soluções propostas pelos técnicos. A
polêmica questão da utilização do reservatório Billings ocupou inúmeras
dessas discussões, tendo sido um dos marcos desse processo a audiência
pública realizada em 1994 no auditório da Cetesb, em que mais de 400
participantes de todos os matizes e tendências técnicas, políticas e
ideológicas puderam conhecer as alternativas propostas e manifestar-se
sobre as suas preferências.
Essa reunião tornou-se um marco do processo, por todos terem entendido
que sem a recuperação da qualidade das águas não haveria solução para
os conflitos de uso, sem que houvesse prejuízos setoriais e regionais,
originando-se daí a razão da epígrafe do Relátório-Síntese do Hidroplan.
E ainda mais, que soluções de compromisso se impunham e seriam possíveis
se todos se permitissem perder um pouco de início, para que todos pudessem
ganhar muito, ao final.
Foi também o Hidroplan o primeiro plano que efetivamente desenvolveu
estudos relacionados a soluções chamadas Não Estruturais, qualificando-as
e quantificando seus custos e benefícios, trazendo para a discussão
propostas de fabricantes de equipamentos hidráulicos e de usuários como
irrigantes e industriais.
O Hidroplan foi contratado pelo DAEE junto ao consórcio das empresas
Hidroconsult, Coplasa, Etep, Figueiredo Ferraz e Maubertec, após concorrida
licitação internacional prestigiada pelas mais conceituadas empresas
de consultoria na área de recursos hídricos.
Os estudos foram iniciados com um amplo e complexo trabalho de catalogação
e análise de todos os planos e projetos setoriais pré-existentes, e
de atualização dos dados básicos necessários para diagnosticar corretamente
os problemas e para elaborar cenários de demandas futuras dos recursos
hídricos. As propostas de soluções abrangeram o abastecimento público,
a recuperação da qualidade das águas, o controle de cheias, a irrigação,
o uso industrial, a recreação e o lazer, e a navegação, nas três bacias
envolvidas, e de forma integrada. Receberam tratamento específico a
análise da utilização de águas subterrâneas, a operação e interação
institucional do reservatório Billings, e a formulação de programas
para Ações Não Estruturais. Um estudo detalhado de viabilização financeira
do Plano encerrou suas atividades.
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