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Revista ENGENHARIA nº 554/2002

Uma história da biblioteca

A Diretoria atual, na ocasião da sua posse, decidiu reabrir nossa biblioteca. Essa biblioteca deveria ser, não apenas um lugar tradicional onde o acervo estivesse rigorosamente disponibilizado e catalogado dentro dos melhores padrões que a biblioteconomia pudesse organizar, mas seria uma biblioteca moderna, interligada a várias redes de bibliotecas, inteiramente informatizada, onde o acervo de todas as bibliotecas integrantes das diversas redes estivesse disponível para aos sócios do Instituto de Engenharia não apenas para consultas mas também para empréstimo de livros pertencentes a essas outras bibliotecas integradas à rede.
Pois bem, após atingir o tão desejado equilíbrio das contas do Instituto, a Diretoria autorizou não só a contratação de uma bibliotecária com experiência em redes de bibliotecas, mas também a reforma das instalações da antiga biblioteca e a compra de mobiliário específico para esse novo conceito de biblioteca, dando prioridade não apenas para a exposição dos livros, mas também para a acomodação de estações de trabalho munidas de computadores de última geração conseguidos pelo Prof. Hélio Guerra, atual presidente do Instituto de Engenharia, sob cessão em comodato sem ônus para o Instituto.
Assim, foi contratada Maria Aparecida Poli (nome sugestivo para uma bibliotecária que está organizando a Biblioteca do Instituto de Engenharia), que iniciou os trabalhos de organizar o acervo existente e está preparando a integração da Biblioteca do Instituto nas redes Rebae, Ibict e a das bibliotecas da USP.
Aí é que surge nossa história:
Poli, como gosta de ser chamada, encontrou dentro de uma das várias caixas de papelão as quais abrigavam nosso acervo, um envelope contendo algumas cópias xerox de uma matéria da REVISTA ENGENHARIA, um recibo datado de 1982 (ano em que a sede do Instituto estava instalada no Palácio Mauá), no valor de Cr$ 102,00. Sim, isso mesmo, cruzeiros. E, pasmem, quatro moedas sendo três de Cr$ 1,00 e a quarta de Cr$ 5,00, perfazendo o total de Cr$ 8,00, que seria o troco dos prováveis Cr$ 110,00 pagos pelo senhor Bernardo Ernesto Epinger e que nunca veio retirar sua encomenda.
Porque será que Bernardo (nossos registros não o apontam como sócio) solicitou e pagou por essa matéria e não veio até hoje retirá-la?
Esquecimento – Talvez fosse uma compra por impulso, como chamam os especialistas em marketing, essa que nós fazemos graças a uma súbita descarga de adrenalina e que após voltar ao nível normal não há mais o entusiasmo que nos levou a comprar. E, portanto, o assunto foi esquecido.
Duplicidade – Pode ser que Bernardo tenha descoberto, posteriormente ao pedido, que possuía o número da revista que publicou tal matéria. Seria pouco provável, pois pelo número da edição – nº 327 – a revista é da década anterior, 1970, e o pedido não estaria arquivado pelo solicitante.
Mudança de ramo de atividade – Seria um outro “Engenheiro que virou suco”, ou até mesmo o próprio.
A questão foi superada – Como a matéria em questão é sobre preços unitários para avaliação de construções, nosso provável colega desistiu do negócio ao tomar conhecimento de seu valor.
Galanteio à bibliotecária – Há ainda a hipótese pela qual Bernardo seja tímido e essa foi a forma encontrada para entabular uma conversa.
...
Há que se comentar também sobre as propagandas inseridas nas páginas da REVISTA ENGENHARIA cujas cópias foram solicitadas:
“Água à vontade” é o que prometia um fabricante de bombas de água situada na então União Soviética que hoje foi pulverizada nas inúmeras nações que a haviam formado, cuja logomarca exibia caracteres do alfabeto russo. Sugeria ainda para obtenção de maiores detalhes encaminhar consulta para: Mosfilmovskaia, 5 – Moscou.
Outra matéria publicitária refere-se à “Larica”, digo “Lorica”, um tipo de empilhadeira que “É força que move montanhas”.
Também dá para destacar o mote publicitário: “No Paulistão todos os tiros Walsiwa atingiram a meta”. “Paulistão” refere-se ao apelido que se pretendia atribuir ao estádio Cícero Pompeu de Toledo, o “Morumbi”, este sim adotado pela população.
Notei também que os anúncios forneciam o “endereço telegráfico”, como sendo uma maneira mais simples e direta para contatar o anunciante e que nos dias de hoje, graças ao incrível avanço das telecomunicações, está em desuso.
Quantos fatos da maior importância ocorreram durante esse intervalo de tempo! ...
Essa é uma das várias histórias ligadas ao Instituto. Existem, é claro, outras muito mais marcantes, como a criação da Cosipa, do Instituto Mauá de Tecnologia, do Proálcool, também ligadas a esta Casa e que certamente os que acompanharam de perto tais episódios poderão descrevê-los com detalhes aos leitores da REVISTA ENGENHARIA.
A propósito: com a modernização da Biblioteca do Instituto de Engenharia provavelmente a história da cópia do artigo da revista solicitada e não retirada terá pouquíssimas chances de se repetir, pois a tecnologia utilizada permite que as matérias publicadas em periódicos, que podem estar inclusive em outra biblioteca pertencente a uma das redes, sejam encaminhadas aos solicitantes via internet depois de digitalizadas, prescindindo de cópias xerox que, portanto, não serão desprezadas pelos solicitantes.

 
     
 




 



 

   



 
edição 554/2002
 



AOS 85 ANOS,
PRONTO PARA
NOVOS DESAFIOS

 
  AOS 85 ANOS,
PRONTO
PARA NOVOS DESAFIOS_
 
 
INDEPENDÊNCIA E DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO_
 
 
O PROGRAMA DE CONTROLE
DAS INUNDAÇÕES
NA BACIA DO ARICANDUVA_
 
 
RAMPA DE ESCAPE
DA RODOVIA
ANCHIETA –
O DISPOSITIVO ESPECIAL ESTÁ LOCALIZADO NO
KM 42,7 DA PISTA SUL_
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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