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A meta é voltar a atender periferia
Em 1976, num contexto em que a administração do trânsito paulistano havia se tornado um imenso desafio – uma vez que a disputa pelos espaços do sistema viário transformou-se em conflito constante entre motoristas e pedestres –, criou-se a Companhia de Engenharia de Tráfego - CET. Ninguém ignora também que as grandes metrópoles do mundo vivem e enfrentam problemas sociais e econômicos alarmantes. Dentre os reflexos deles decorrentes – e diretamente relacionados com a qualidade de vida das populações – estão os de transporte e trânsito. A criação da CET – há 25 anos – teve, portanto, o objetivo de planejar e implantar, nas vias e logradouros da cidade de São Paulo, a operação do sistema viário, a fim de assegurar maior segurança e fluidez no trânsito. Essa missão certamente é cada dia mais difícil e complexa considerando o resultado da aceleração da demanda por veículos automotores, prontamente respondida pela indústria automobilística, que introduz nas ruas paulistanas cerca de 500 carros novos por dia. Atualmente a capital paulista, uma das quatro maiores metrópoles do mundo, conta com 15.546 quilômetros de vias, uma frota de veículos licenciados de 5.128.000 e uma população de 10 milhões de habitantes. Do total da frota, cerca de 3,5 milhões de veículos vão para as ruas diariamente, segundo cálculo da companhia. Isso redunda numa saturação quase permanente do sistema viário, o que torna estratégicas as atividades de operação de campo.
Nova gestão Nos oito anos anteriores à investidura da atual administração municipal paulistana, porém, a Companhia de Engenharia de Tráfego - CET deixou de priorizar o transporte coletivo, preocupando-se apenas com a fluidez do transporte individual, o automóvel. A avaliação é do novo presidente da companhia, Francisco Macena. "Acho que isso fez parte da política das administrações anteriores, de tirar a Prefeitura da periferia", avalia ele. Ao descrever a atual situação da CET (ou como a companhia foi encontrada pela atual diretoria) Macena se esquiva de ficar no que classifica de "discurso repetitivo". Mas acaba não resistindo e admite que encontrou a empresa completamente sucateada, sem ao menos estoque de lâmpadas para fazer o reparo nos inúmeros semáforos queimados pela cidade afora. "Isso tudo já foi muito noticiado e eu não quero me tornar enfadonho". Algumas coisas, no entanto, ele acha importante colocar. É o caso, por exemplo, de ter assumido a empresa com uma capacidade operacional muito reduzida em relação a oito anos atrás. "Primeiro, encontramos uma frota altamente sucateada, com 46% dos carros em manutenção, quebrados, parados no pátio. Isso representa 300 veículos. Imagine um pátio com 300 veículos enferrujando". Em segundo lugar, Macena constatou que a capacidade de intervenção da CET se esgotava no chamado minianel, na região do centro expandido de São Paulo. Em gestões anteriores a companhia operava também na periferia da cidade. Mas houve depois um redirecionamento da política, colocando-a apenas na região central. "Hoje, nos bairros da cidade, não há um "marronzinho" (os operadores da CET, que vestem uniforme marrom), uma operação-escola, nenhum tipo de atividade ou presença física da CET nessas regiões. É um pouco parecido com a presença do Estado, que também não existe"... |
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