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UM
PROJETO
PARA ACABAR
COM AS INUNDAÇÕES
que São Paulo enfrenta
desde o século XVII
O
Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE aceitou um imenso desafio
ao assumir o “Projeto de Despoluição da Bacia do Rio Tietê”, financiado
pelo Japan Bank for International Cooperation – JBIC. O desafio é muito
grande, tanto por causa da grandiosidade da proposta – rebaixar o rio
para duplicar sua vazão, trabalhando no meio de uma área densamente
urbanizada, construir duas barragens de cabeceira e dar condições de
escoamento das ondas de cheia do Cabuçu de Cima –, como pela difícil
missão de conseguir uma solução definitiva, para a qual é vital que
pare de crescer o caudal lançado no Tietê e seus afluentes, que há décadas
aumenta, em virtude da constante impermeabilização do solo.
Desafio mais sério ainda, quando se sabe que desde o século XVII São
Paulo sofre devido às enchentes, que passaram a causar prejuízo praticamente
desde o dia em que a primeira casa foi construída sobre a várzea inundável,
terreno que há milhares de anos sempre serviu para extravasar a água
das cheias, que transbordava dos rios.
Os prejuízos causados atualmente pelas enchentes pode ser mensurado
pelo estudo do DAEE, o qual mostra que, numa recorrência de dois anos,
1.247 residências e casas comerciais são inundadas; em recorrência de
10 anos, o total sobe para 7.311 unidades; e, a cada 30 anos, o prejuízo
atinge a 11.463 unidades. Isso significa perdas de estoques de matérias-primas,
de produtos acabados, perdas por deixar de produzir e vender, além de
perdas de máquinas e equipamentos de produção e de escritório. Pois,
nas enchentes maiores, os imóveis inundados têm um incrível total de
930.512 metros quadrados. Isto sem levar em conta o prejuízo do tráfego:
30 mil veículos por hora usando as Marginais e 34 mil nas vias arteriais
que cruzam o Tietê, tráfego esse que pára por várias horas e, em casos
excepcionais, por mais de um dia, quando ocorrem as grandes enchentes.
Um antigo óleo de Benedito Calixto, do século XIX, retratando a várzea
do Carmo sob a água, por causa de uma inundação do Tamanduateí, é o
mais antigo registro iconográfico de uma enchente em São Paulo. Dizem
os historiadores, entretanto, que a escolha do Páteo do Colégio para
a construção da cidade, em 1554, já teria como determinantes as inundações,
que tornavam um obstáculo intransponível o lamaçal às margens do rio.
Especulação que ganha maior foro de verdade, quando se lembra que o
Colégio que daria origem à cidade foi erigido em janeiro, em plena temporada
das chuvas de verão...
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ANTONINHO
PEREIRA DA SILVA, DRAUSIO ANGELO PAGIANOTTO,
EDUARDO VIEIRA FIORATTI, JOSÉ GERALDO BORGES FOLINO,
MANOEL HORÁCIO GUERRA, MARCO ANTONIO CABRAL PARO,
SÉRGIO SEIJI NAKANDAKARE E, WILSON ROBERTO WAKI
Unidade de Gerenciamento do Projeto Tietê – UGP-Tietê – DAEE/SP
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