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Aos 85 anos, pronto
para novos desafios
 
 


Em nível planetário, o desafio mais preocupante para todos e em particular para os engenheiros, essa estirpe de profissionais polivalentes, parece ser o de como conciliar uma necessária volta ao espírito humanista com o progresso tecnológico; no Brasil, o desafio do futuro está claro e reside na inclusão social - vivemos num país de desigualdades em que, por exemplo, cerca de 50 milhões de pessoas não possuem um teto para abrigá-las de forma digna e segura


No ano da comemoração de seus 85 anos, o mínimo que se pode dizer sobre o Instituto de Engenharia (IE) é que fez História sem nunca perder a sintonia com seu tempo. Sempre cuidando – até os dias atuais – de manter as antenas voltadas na direção das novas tendências tecnológicas, sociais e políticas que aparecem no horizonte. E a História só pode ser feita quando se consegue enxergar o sentido do futuro.

Fundado em 15 de fevereiro de 1917, o IE teve como seu primeiro presidente Francisco de Paula Ramos de Azevedo – de quem se falará mais adiante –, instalando-se provisoriamente na Sociedade Paulista de Agricultura. Era o início de uma caminhada que se confunde com o próprio desenvolvimento brasileiro.

Mas, e o amanhã, como será? Neste novo milênio que engatinha, num planeta cheio de sobressaltos e ameaças, quem se aventure a conjeturar sobre o papel da engenharia em futuro próximo pode correr o risco de fantasiar sobre soluções. Até porque, o mais preocupante nos dias atuais parece ser: como conciliar uma necessária volta ao espírito humanista com o progresso tecnológico?

O desafio do futuro está claro no Brasil e reside na inclusão social. Vivemos num país de desigualdades. A título de exemplo, o déficit habitacional está estimado em seis milhões de unidades. Se for adotado o critério de cinco pessoas por família, chega-se ao número de 50 milhões de pessoas que não possuem um teto para abrigá-las de forma digna e segura. Portanto o desafio deste século será o uso racional de recursos físicos, técnicos e financeiros que promovam o crescimento econômico, a criação de empregos, a criação de renda, o consumo e a inclusão social. O engenheiro, sendo um polivalente, não deverá se furtar à busca de respostas, mesmo a questões de tanta abrangência como essas. Só para ilustrar com um caso bem brasileiro, deve-se a um engenheiro, Euclides da Cunha, uma das obras-primas de nossa literatura e denúncia social. Operando entre pontes e construções, mantendo sua reflexão para as urgências das reformas políticas, ele confiou, em Os Sertões, o seu talento e a sua visão humanística.

Ainda recuado no tempo – com o foco voltado para o Brasil –, pode-se dizer que o avanço da engenharia nestes últimos decênios confirma o potencial firme e seguro do País. Do impulso construtivo – remodelando imensos territórios, recondicionando-os, descobrindo e ativando as riquezas minerais, reutilizando os recursos energéticos, dando fervor ao progresso da indústria – é que tem costumado emergir a capacidade, a vontade e a confiança neste país-continente.

O Instituto foi fundado às portas de uma década, a de 20, que pressagiava grande bulício intelectual. Mas o pano de fundo era o das dificuldades iniciais da República, cujos primeiros passos coincidiram com a arrancada industrial norte-americana. Nessa época o Brasil passa por constantes crises de crescimento, aceleram-se as imigrações de mão-de-obra do Velho Mundo, que já então maciçamente incrementam a lavoura e lançam as bases do desenvolvimento.

Caminhos de ferro encurtam distâncias, engenheiros como André Pinto Rebouças abrem estradas, melhoram portos e propõem até novos sistemas de navegação aérea – como é o caso do engº Júlio César Ribeiro de Souza que, em Paris, apresenta a invenção da dirigibilidade dos balões sem motor. Progridem as escolas de medicina e se destaca internacionalmente Osvaldo Cruz. São Paulo empenha-se nos longos e duros passos da criação de um parque industrial...

 
     
 




 



 

   



 
edição 554/2002
 



AOS 85 ANOS,
PRONTO PARA
NOVOS DESAFIOS

 
  AOS 85 ANOS,
PRONTO
PARA NOVOS DESAFIOS_
 
 
INDEPENDÊNCIA E DEFESA DO INTERESSE PÚBLICO_
 
 
O PROGRAMA DE CONTROLE
DAS INUNDAÇÕES
NA BACIA DO ARICANDUVA_
 
 
RAMPA DE ESCAPE
DA RODOVIA
ANCHIETA –
O DISPOSITIVO ESPECIAL ESTÁ LOCALIZADO NO
KM 42,7 DA PISTA SUL_
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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